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AMIGOS DE DELMIRO GOUVEIA 2

Continuando o blog anterior www.amigosdedelmirogouveia.blogger.com.br: César Tavares e colaboradores(delmirenses exilados) abrem suas malas cheias de recordações e lembranças dos tempos passados em Delmiro Gouveia, uma cidade sertaneja das Alagoas, de sua gente e dos fatos do cotidiano. E fica o convite para os visitantes também abrirem as suas malas, baús, gavetas e álbuns; e retirar: histórias, causos, e fotos do passado e do presente delmirense. Contato:cesatavares@yahoo.com.br



Terça-feira, Dezembro 27, 2005

UMA FIGURA HISTÓRICA DELMIRENSE:
MONSENHOR FERNANDO
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... Alguns anos depois, fora convidado para capelão da igreja o jovem padre Fernando Soares Vieira, que fundou a festa de Nossa Senhora do Rosário na igrejinha da vila, aonde celebrava as novenas e missas de encerramento.

O trecho de texto acima foi retirado do site da prefeitura www.delmirogouveia.al.gov.br

O post é curtinho. Atendendo uma sugestão da Sandra de Eurico, para lembrarmos de uma figura importante da história delmirense. Falamos do famoso Monsenhor Fernando. Creio que batizou, fez a primeira eucaristia, casou e por fim deu a extrema-unção(hoje benção dos enfermos) a quase todas as famílias católicas de DG. Há uma placa na igreja indicando a data de seu nascimento e falecimento. Acho que ele foi sepultado na própria igreja que tanto se empenhou em construir.

A foto do pequeno acervo familiar e que ilustra este post é de 9 julho de 1961. Portanto uma raridade. Afinal tem 45 anos. O Padre Fernando(senhor calvo à direita) era o paraninfo de ordenação da primeira missa rezada pelo seu amigo e então Padre Heliomar(Didi), meu tio, e que poucos anos depois deixou o hábito e resolveu constituir família.


Com a palavra os leitores. O que você tem de interessante para contar sobre ele? Quais as suas lembranças? Ainda está no fundo da gaveta aquela sua foto clássica, com carinha angelical, vestindo uma camisa branca de mangas compridas e gravatinha azul e segurando na mão direita uma vela? Manda para cá.



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postado por: <$César Tavares$> Terça-feira, Dezembro 27, 2005


Terça-feira, Dezembro 13, 2005

REGISTRO PARA POSTERIDADE. TURMAS DE DELMIRO GOUVEIA..


O post de hoje bem curtinho. Duas fotografias emprestadas pelo irmão Marco. A primeira delas é de outubro de 1977 numa festinha feito pelos amigos da Divisão de Confecções da Agro Fabril(Camisaria) em sua despedida do trabalho. Pena que já não conseguimos lembrar o nome de todas as pessoas que aparecem nesta foto.

A outra fotografia,creio que de 1996, num rápido reencontro de delmirenses numa barraca de praia em Itamaracá. Delmirenses no bom sentido. Pois Marco nasceu em São Paulo. E Genilson, Bráulio e Danilo(filhos do famoso seu Virgílio dos Correios) parecem-me que nasceram pelos lados de Pão de Açúcar. Portanto talvez só o Gilmar Vieira(Cabeção ) é filho do Seu João Vieira(caminhoneiro) seja nato da cidade. Mas todos passaram parte de suas infâncias e adolescência na terrinha.


E aí você leitor manda a foto de sua turma também. Deixe o seu registro. Mate as saudades dos seus antigos colegas.



?. Marco, Cícera, Neguinho(irmão de Alberício),?, Miguel e Alda Brandão
e Márcia Rejane(Tita) apoiada. Em pé não consigo lembrar dos nomes. Com vocês.
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à esq: Genílson, Bráulio e um amigo recifense. à dir: Danilo, Gilmar e Marcão.

No blog anterior teve um post em homenagem ao Gilmar Cabeção. Ele foi pelo que consta o primeiro
pichador poético-político delmirense. Coisa de adolescente.

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postado por: <$César Tavares$> Terça-feira, Dezembro 13, 2005


Sábado, Dezembro 10, 2005

SANDRA DE EURICO.
O post de hoje é um email(adaptado para o formato do blog) que recebi da nossa amiga Sandra( de Eurico). Logo em seguida teço alguns comentários.

Sandra e seus filhos(aqui para nós Ela parece mais irmã que mãe.)

Amigo César,

Você agora vai sempre ver sempre algum tipo de comentários meu, pois nos finais de semana eu nunca saio. Este é o meu vício.
Antes quero dizer que eu tenho um casal de filhos: O Mahatma (com 21 anos) e a Dandara (com 16 anos)
De fato eu tenho uma foto tomando a hóstia com o monsenhor Fernando(outra figuraça que merece um pouco de carinho da nossa parte. Embora não esteja mais entre nós).
Eu também fiquei feliz por ver a foto do meu pai em seu blog, e de vez em quando a minha carinha. Notei que você não fala em mim. Logo eu que era uma rumbeira maravilhosa e que estava sempre pronta a subir na mesa(Birô) para dançar para a turma! Vê se lembra mais de mim, pois eu fui peça importante na turma(risos)
Achei maravilhoso o que você fez para nunca perder contato com os delmirenses. Pessoas como o Edmo Garoto, que vi quando ainda era menina e o Ricardão(Menezes) gente boa. E vários outros que eu nem cheguei a conhecer mas, que existem afinidades. E eu fiquei feliz por ver o quanto ainda estamos unidos e apegados as nossas raízes. Você continua surpreendendo!!!!.
Beijos na família, hoje irei me consultar com a Dra. Tânia (sua prima e nossa colega de turma) e a quem eu chamo carinhosamente de Tânica. E vou mandar ela dar uma olhadinha no Blog.



Sandra


Resposta aberta ao email.

Amiga Sandra,


Parabéns pelo belo casal de filhos. Sandra legal você ter lembrado de quem era a rumbeira da turma. Mas confesso que eu não lembrava mais disto não. Talvez pelo fato que ainda na sétima série eu saí da turma porque fui trabalhar na fábrica. Então passei a estudar na turma da noite. E com isto perdi boa parte das peripécias que vocês aprontavam(principalmente a senhora e o Dr. Cleiton Feitosa) nos outros horários No entanto a festa de formatura da oitava série foi em conjunto. Mas valeu. Ri muito com tudo isto.

O Monsenhor Fernando será tema de um próximo post. Tenho aqui comigo algumas fotos onde ele aparece. Aliás acho que todo mundo tem alguma foto com ele. Afinal ele batizou, crismou, realizou a primeira comunhão e fez o casamento e missa de sétimo dia (risos)de muitos delmirenses.

E que bom também o seu reencontro por aqui com os amigos de quem não tinha notícias há um bom tempo: O Garoto e o Ricardo. Está vendo só. O blog tem alguma utilidade pública.(risos).

Esperando mais contribuições suas e agradecendo pela divulgação do espaço.

Um grande abraço

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postado por: <$César Tavares$> Sábado, Dezembro 10, 2005


Quarta-feira, Dezembro 07, 2005

IMPRESSÕES DELMIRENSES: NOTAS DE VIAGEM DE UMA NETA NA TERRA DOS SEUS.

O texto de hoje é da nossa nova colaboradora a Aline Alves. Ela é carioca, estudante de Economia da UFRJ, filha da Telma Alves minha vizinha delmirense(filha de João Canuto) e hoje(07/12) é aniversário da Aline. Na minha infância ali pelas bandas do Palmeirinha brinquei muito de jogar futebol, garrafão e de roubar bandeira com os seus primos: Zezinho, João Neto, Jairo e Givaldo(saudoso). Bons tempos.



Carnaval em DG 2004. O jeito simples do povo que sabe se divertir é que impressionou Aline.

Um grupo de foliões delmirenses 2004. Entre eles: Cláudio Bandeira(filho de Zé de Olavo) de camisa vermelha,
Tadeu Mafra(de saia) e Dr. Hilton(filho de Wilson e irmão do Gilson)com camisa branca.


Vamos ao texto:

Costumo me declarar com uma nordestina nascida no Rio (mesmo tendo noção de geografia e sabendo que na teoria isso não é possível!..rs). Meus pais são de Delmiro Gouveia e acostumei a passar as férias escolares em terras alagoanas.

Quando pequena me tomava de uma euforia absurda sempre que entrava de férias e sabia que em fevereiro estaria partindo p/ Delmiro. A euforia se explica,primeiramente, por sabe que reencontraria parentes queridos, minhas avós e por saber que desfrutaria de uma liberdade que não tenho por aqui,pois poder ficar na rua até tarde sem preocupação com tiroteio,assaltos não há nada melhor!!!

Contentava-me simplesmente em poder andar tranqüilamente pelas ruas de DG, passar uma tarde de domingo brincando na rua, voltar para casa da avó, tomar um banho, ir à missa e depois tomar um sorvete no centro, sentada e olhando as modas...rs. Era a minha grande diversão!! (não sei se me contentava com pouco, mas quando criança isso era o suficiente p/ que eu considerasse minhas férias divertidas e proveitosas..rs.).

Depois amarguei 8 anos sem ir à DG. Voltei no auge dos meus 17 anos e cheguei, mais uma vez, na época do carnaval. E eu mal sabia que o carnaval de DG tinha evoluído, afinal temos até trio elétrico..rs. Foi um dos melhores carnavais da minha vida (carnaval de 2002). Aproveitei muito, conheci pessoas divertidíssimas e que se tornaram companheiras de farras e de copo em todas as minhas idas à DG. Inclusive, levanto aqui uma enquete : será que o pessoal de DG é chegado num álcool ou será que sou eu que bebo pouco?!?!?..rs.Mas após ter passado 4 carnavais em DG minha resistência à bebida aumentou incrivelmente! Por que será?? Será que isso se deve as influências delmirenses???Será?? Será??...rs.

Gosto muito do clima que DG me transmite : tranqüilidade, diversão. Em todas as minhas idas sempre acabo por conhecer mais pessoas e todas se mostram receptivas, agradáveis. Enfim, é uma cidade que engloba tudo aquilo que julgo importante: pessoas receptivas, diversão (pelo menos p/ mim, afinal sempre estou por lá na melhor época: Carnaval) e tranqüilidade (algo que não tenho muito morando num grande centro urbano).Aaaahhh!! Já ía me esquecendo de falar que o sotaque é algo que muito me agrada..rs.Adoro o jeitinho de falar também, acho lindo!..rs.
Fui criada ouvindo as histórias das figuras lendárias de Delmiro, ouvindo o sotaque do meu pai e de minha mãe que, mesmo morando no Rio há mais de 20 anos, ainda preservam o jeito nordestino de falar.Quando irritados então aí que o sotaque vem com tudo e ouço vocativos do tipo : ¿Cabra da peste!¿, ¿Fio de uma égua¿...rs.




Espero ter colaborado com o blog, apesar de não ter nenhum grande fato a dissertar..rs. limitei-me a declarar meu encantamento por DG e certificar que sou uma ¿amiga¿ de Delmiro Gouveia...rs.

Valeu!

Aline Alves


Quem não fica tocado com as impressões delmirenses da Aline.? Afinal ela uma carioca da gema vir a se encantar com o carnaval de uma cidade relativamente pequena! Paradoxal. E o jeitão com que ela fala do carinho e receptividade do povo da terrinha também é algo que mexe com a vaidade interiorana. Grato pelo texto. E EM NOME DE TODOS SEUS AMIGOS DELMIRENSES(reais e virtuais) DESEJAMOS UM FELIZ ANIVERSÁRIO E PARABÉNS PARA VOCÊ . E QUE VOLTE OUTRAS VEZES EM NOSSA CIDADE.(TAMBÉM SUA POR ADOÇÃO) e que mande mais colaborações feito está agora. Grato.

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postado por: <$César Tavares$> Quarta-feira, Dezembro 07, 2005


Sábado, Dezembro 03, 2005

A ¿Revolução¿ de 1964 na visão de um garoto delmirense

Hoje temos o excepcional e divertido texto do nosso colaborador Eraldo Vilar narrando o pantim(mais uma palavra do vocabulário delmirense) feito por alguns milicos nos primeiros dias do Golpe Militar de 1964.

Qual interesse estratégico tinha a nossa cidade no contexto nacional naqueles dias é um mistério para os historiadores? Será que o famoso Ouro de Moscou financiava algum aparelho comunista delmirense? Será que na pacata DG havia comedores de criancinhas?

Fugindo um pouco da cultura do blog(pois sempre os fatos e fotos são de DG), mas dentro do espírito do texto do Eraldo segue abaixo uma fotografia tirada ao lado de um camarada que participou ativamente da resistência civil aos desmandos da ditadura atuando como líder estudantil. Queiram ou não os seus inimigos ele é uma figura histórica e polêmica. Admirado por alguns e odiado por tantos outros. Eu particularmente sou do primeiro grupo. Respeito à opinião dos que pensem em contrário.





Olinda domingo à tarde. Três dias antes de ter seus direitos políticos retirados.

A ¿Revolução¿ de 1964 na visão de um garoto delmirense
(Texto na íntegra do Eraldo Vilar)

A famosa ¿revolução¿, promovida pelos militares em 1964, marcou minha geração, pois seus efeitos foram prolongados, sendo o pano de fundo de parte da minha infância , adolescência e parte da minha vida adulta.

Embora tenha ainda comigo, lembranças nada boas deste período de ¿chumbo¿ da vida brasileira, lembranças estas associadas a colegas e professores da escola de geologia, na Bahia,perseguidos e presos (alguns torturados), guardo, entretanto, uma recordação engraçada deste período.

Tinha eu 10 anos de idade quando a ¿revolução¿ eclodiu, residia ainda em Delmiro e tomei conhecimento dela em um sábado, dia da famosa ¿feira¿, que acontecia na cidade.

Estava, pela manhã, na loja de meu pai, na rua do Progresso, ajudando nas vendas¿que aos sábados eram intensas e exigiam reforço na equipe de vendedores¿quando ouvimos grande alarido na rua. Pedi ao meu velho para ir ver o que estava acontecendo e dirigi-me ao início da feira, próximo ao açougue, onde fiscais da prefeitura normalmente colocavam cavaletes para impedir a passagem de veículos no meio da feira.

Lá chegando, deparei-me com aqueles veículos assustadores, enormes, verdes (tudo é grande demais quando somos pequenos, não é? rs) parados no meio da feira. Tratava-se de dois caminhões do exército , vindo do quartel de Paulo Afonso: um, com capota e bancos, estava cheio de soldados armados com fuzis com baionetas travadas, o outro tinha apenas carroceria, sem capota.

As fisionomias dos soldados (todos jovens, alguns delmirenses) estavam rígidas, sérias e assustavam. Os soldados desceram do caminhão e sob as ordens de alguns sargentos, começaram a se distribuir em pequenos grupos pelas ruas do centro, com ar ameaçador que fazia os pobres feirantes permanecerem em silêncio, assustados (eu comecei a pensar que voltar para a segura companhia de meu pai seria uma boa idéia..rs).

Na carroceria do caminhão sem capota, cujas grades laterais foram abaixadas, os soldados colocaram uma metralhadora de pé, de grosso calibre , daquelas que se vê filmes de guerra. Um enorme pente de munição foi colocada na abertura lateral da metralhadora e um soldado deitou-se em posição de tiro, apontando a mesma para os lados da feira. Esta ação fez o povaréu recuar e eu correr..rs. Mas, era apenas o soldado tomando posição. Aliás, uma posição estática mesmo!. O bravo combatente, imbuído de dever patriótico (rs) nem batia as pestanas. Sua expressão era a seguinte: olhar raivoso de águia, fixo, lábios cerrados, parecia uma estátua.

Pois é....e tome-lhe sol delmirense no capacete. Passado um tempo, o medo foi passando, e um monte de matuto (eu no meio) foi se acercando do caminhão, maravilhados com aquela cena , aquela arma gigantesca e ameaçadora.
A turma foi descontraindo, puxando seus cigarrinhos de palha brava, e diálogos do tipo eu pude ouvir:
-¿Pois é, cumpadi...que espingarda da peste, né? ¿
-É, cumpadi..ja pensou o estrago que a gente ia fazer nos mocós cum ela? ¿
-¿Eita cumpadi..ia esbagaçar, homi, isto é prá matá onça!¿....
-¿Mas que sordado bravo, né?...num mexe nem os beiços! ¿
-Pois é...será que ele guenta o sol muito tempo, cumpadi?¿
-¿Sei não, cumpadi..o coitadim vai derretê dibaixo do capacete.¿..

E por aí iam as conversas, ao redor do caminhão.....
Hoje lembro destas coisas ... que coisa mais surrealista a revolução de 64
na nossa Macondo!...rs....queriam achar algum comunista lá?? Rsss

Ps: pelo sim pelo não, enterrei meu livros de capa vermelha no dia seguinte...rss

Ps: não tenho certeza porque não fiquei o tempo todo, mas eu soube que o soldadinho desmaiou de insolação....rss...alguém lembra e confirma?

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postado por: <$César Tavares$> Sábado, Dezembro 03, 2005



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